Paulo Roberto Gomes Fernandes acompanha, com olhar técnico, a decisão da Comissão de Serviço Público de Michigan que, em 1º de dezembro de 2023, aprovou o avanço do projeto que realoca o duto conhecido como “5” para dentro de um túnel subterrâneo sob o Estreito de Mackinac, nos Grandes Lagos. Essa aprovação ganhou peso porque trata de um ponto sensível do debate energético norte-americano: como manter a infraestrutura crítica operando, enquanto se reduz a exposição de um trecho submerso em uma área ambientalmente estratégica.
Em 2026, a discussão ainda envolve etapas regulatórias federais, porém a autorização estadual se consolidou como marco, por sinalizar uma mudança de paradigma: quando o risco ambiental é elevado, a solução tende a migrar do “proteger o existente” para “reposicionar em um ambiente controlado”.
Por que o Estreito de Mackinac virou referência no debate sobre risco
Paulo Roberto Gomes Fernandes informa que o duto “5” transporta até 540 mil barris por dia de óleo leve e líquidos de gás natural, compondo uma cadeia logística relevante para a região. Ao mesmo tempo, o trecho submerso sempre foi alvo de questionamentos por estar em um corredor hidrográfico sensível, onde a percepção pública de risco é alta e a tolerância a incidentes é baixa.
Um episódio de 2018, em que uma âncora danificou o sistema, reforçou a ideia de vulnerabilidade operacional e passou a ser mobilizado como argumento por atores que defendem o encerramento do traçado atual. Assim, a proposta do túnel foi construída como resposta técnica à pergunta central do caso: como preservar o transporte, reduzindo a probabilidade de um evento com grande impacto ambiental.
O que muda quando o duto sai do leito d’água e vai para um túnel
A solução subterrânea oferece um benefício conceitual claro: em vez de depender apenas de barreiras externas e inspeções em ambiente submerso, cria-se um espaço de serviço com acesso, instrumentação e contenção. Essa característica tende a facilitar a inspeção, manutenção e intervenção, com menor dependência de janelas climáticas e de operações aquáticas complexas.

Paulo Roberto Gomes Fernandes avalia que a relevância do túnel está menos no “formato” e mais no método de controle de risco: o trecho passa a existir em um ambiente projetado para ser monitorável e acessível. Isso também muda a lógica de integridade ao longo do tempo, porque permite rotinas de inspeção com maior previsibilidade e, em tese, respostas mais rápidas a qualquer anomalia, sem que a operação precise se expor a limitações típicas de estruturas submersas.
Complexidade de execução e o papel da engenharia em ambiente confinado
O túnel proposto tem cerca de 4 milhas (aproximadamente 6,4 km), com desafios de inclinação, ventilação, logística de obra e requisitos de segurança para equipes em espaço confinado. Mesmo sem tratar de um lançamento de dutos idêntico ao de projetos brasileiros, a discussão técnica converge em um ponto: obras longas, confinadas e com acesso restrito exigem planejamento de frentes, rastreabilidade de parâmetros e protocolos rígidos de segurança ocupacional.
Paulo Roberto Gomes Fernandes relaciona esse tipo de projeto à necessidade de tecnologias e processos capazes de manter controle contínuo de alinhamento, estabilidade e comunicação operacional. Em ambientes extensos e fechados, fatores menos visíveis, como gestão de umidade, segurança de evacuação, redundância de energia e monitoramento de gases, passam a integrar o núcleo do método construtivo, e não um apêndice de obra.
Licenciamento, disputas e o que se observa para os próximos anos
Apesar da aprovação estadual de 2023, o avanço ainda depende de decisões e autorizações federais conduzidas pelo Corpo de Engenheiros do Exército dos EUA, dentro de um processo de avaliação ambiental e de permissões para intervenções em águas e áreas associadas.
Paulo Roberto Gomes Fernandes entende que, em projetos dessa natureza, a engenharia precisa dialogar com exigências ambientais e sociais cada vez mais detalhadas, porque a viabilidade deixa de ser apenas técnica. Em 2026, o caso de Michigan permanece como referência justamente por expor essa convergência: decisão regulatória, inovação em infraestrutura de contenção e uma reconfiguração do conceito de segurança, onde a prioridade é reduzir exposição, ampliar acesso e tornar a manutenção parte estruturante do projeto.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
