Medidas coordenadas pelo governo federal ampliam operações, tecnologia e integração entre forças de segurança para impedir a atuação de organizações criminosas dentro das unidades prisionais.
O sistema penitenciário do Rio de Janeiro passou a integrar, a partir desta segunda-feira (21), uma mobilização nacional coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública para intensificar o combate ao crime organizado dentro das unidades prisionais. A ação, que se estende até sexta-feira (25), reúne operações de revista, entrega de equipamentos tecnológicos e capacitações voltadas a policiais penais em diferentes estados, com o Rio entre os principais destinos dos novos recursos.
Operação MUTE reforça revistas em presídios
A principal frente da semana é uma nova edição nacional da Operação MUTE, criada para enfrentar as comunicações proibidas dentro das unidades prisionais. A ação reúne policiais penais federais e estaduais em revistas estratégicas e atividades de inteligência, com o objetivo de localizar e retirar celulares e outros materiais ilícitos do ambiente carcerário. No Rio de Janeiro, a operação passa a integrar o conjunto de medidas que já vinham sendo aplicadas para reforçar a segurança das unidades do estado.
Segundo dados divulgados pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), desde maio deste ano as operações MUTE realizadas em diferentes regiões do país mobilizaram 13.343 policiais penais. No período, foram revistadas 10.195 celas em 312 unidades prisionais, considerando tanto as edições nacionais quanto as locais, o que resultou na apreensão de 2.447 aparelhos celulares.
A estratégia busca dificultar a comunicação entre integrantes de organizações criminosas que estejam dentro e fora dos presídios, um dos principais mecanismos usados por facções para manter o controle de operações ilícitas mesmo com lideranças encarceradas. Por isso, a ampliação da capacidade de inteligência das equipes tem sido tratada pela pasta como prioridade dentro do programa de modernização penitenciária em curso neste ano.
Rio terá novos equipamentos para fiscalização
Entre os itens que serão entregues ao Rio de Janeiro estão dois body scanners, equipamentos usados para inspeção corporal sem a necessidade dos procedimentos convencionais de revista física, além de georradares e kits de varredura eletrônica. Os georradares são empregados para identificar alterações no solo e em estruturas das unidades, enquanto os kits de varredura auxiliam na localização de dispositivos eletrônicos escondidos.
O estado também está entre os que já receberam equipamentos de raios X neste ano. Ao todo, 35 aparelhos desse tipo foram distribuídos a unidades prisionais de diferentes estados, incluindo Rio de Janeiro, Ceará, Pernambuco, Maranhão, Tocantins, Goiás e Mato Grosso, com o objetivo de reforçar a fiscalização de objetos e materiais que circulam dentro dos presídios.
Além do Rio, outros cinco estados receberão parte dos novos equipamentos nesta etapa da mobilização: Pará, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Sul e Espírito Santo. A iniciativa faz parte de um programa mais amplo de modernização tecnológica que contempla 138 unidades prisionais consideradas estratégicas em todo o país, segundo a Senappen.
Operação Modo Avião usa tecnologia para detectar sinais irregulares
Outra frente de combate às comunicações clandestinas dentro dos presídios é a Operação Modo Avião, que segue em andamento no Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Ceará e Paraíba. No estado fluminense, as equipes utilizam Equipamentos Táticos de Revista Eletrônica, capazes de identificar sinais e dispositivos usados de forma irregular no ambiente prisional.
As informações obtidas durante as varreduras são repassadas às equipes de inteligência, que utilizam esses dados para definir quais áreas devem receber prioridade em novas revistas e ações operacionais. Segundo a Senappen, apenas em 2026 já foram realizadas 260 ações da Operação Modo Avião em 96 unidades prisionais espalhadas pelo país, um volume que reforça o caráter permanente dessa frente de fiscalização.
Por razões de segurança, a Senappen não divulga com antecedência quais estabelecimentos prisionais serão alvo das ações da semana, medida adotada para preservar tanto a integridade das equipes quanto a eficácia das operações em curso.
Capacitação e cronograma nacional seguem nas próximas semanas
A ofensiva federal não se limita às revistas físicas e eletrônicas. A Senappen também está promovendo cursos de capacitação para policiais penais, com o objetivo de aproximar os procedimentos adotados nos sistemas estaduais das práticas já utilizadas no Sistema Penitenciário Federal. Nesta semana, a programação inclui formações na Bahia e em Goiás, onde cerca de 60 policiais penais participam de um curso voltado à análise de imagens com uso de inteligência artificial em equipamentos de raio-X e scanner corporal.
No Rio de Janeiro, uma etapa de capacitação sobre a operação e o manuseio de equipamentos de raios X já foi concluída, antecedendo a entrega dos novos aparelhos ao estado. O cronograma nacional deve seguir para outras unidades da federação nas próximas semanas, com formações previstas para Pernambuco entre 28 de setembro e 2 de outubro, Ceará entre 7 e 14 de outubro, Mato Grosso entre 19 e 23 de outubro, Maranhão no fim de outubro e início de novembro, e Tocantins em meados de novembro.
Ao colocar o Rio de Janeiro entre os estados que recebem novos equipamentos e participam simultaneamente de operações de varredura eletrônica, a estratégia federal amplia a estrutura disponível para o estado no combate à comunicação clandestina dentro dos presídios, um dos pontos mais sensíveis da relação entre o crime organizado e as facções que atuam também fora das grades.
Fontes consultadas:
Diário do Vale
