Yellow Pro usa LiDAR 3D e inteligência artificial e atua ao lado de câmeras, drones autônomos e cães de guarda na Cidade do Rock
Entre guitarras, multidões e shows na Cidade do Rock, uma figura pouco convencional passou a integrar a operação de segurança do Rock in Rio 2026: um robô humanoide de 1,45 metro chamado Yellow Pro. O equipamento é utilizado pela SegurPro, responsável pela segurança oficial do festival no Brasil, e atua ao lado de mais de dois mil vigilantes, além de câmeras equipadas com inteligência artificial, drones autônomos e até dois cães de guarda. A operação é coordenada por um Centro de Controle Operacional instalado no próprio Parque Olímpico, que recebe o festival desde 2017 e deve reunir cerca de 100 mil pessoas por dia ao longo dos sete dias de shows, realizados nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro.
Como funciona o robô Yellow Pro
O Yellow Pro é um robô humanoide do modelo G1Plug, com cerca de 35 quilos e formato inspirado no corpo humano, capaz de atingir velocidade de até 7,2 km/h. O equipamento utiliza tecnologia LiDAR 3D combinada a câmeras de profundidade para mapear o ambiente ao seu redor em 360 graus e em tempo real. O sistema de LiDAR funciona emitindo feixes de luz e calculando o tempo que cada feixe leva para retornar, o que permite construir uma representação tridimensional do espaço em que o robô circula, enquanto as câmeras de profundidade ajudam a calcular a distância entre o equipamento e as pessoas ou objetos ao seu redor.
Para se locomover e interagir com o ambiente, o Yellow Pro conta com até 43 motores instalados nas articulações, responsáveis pelos movimentos e pelo deslocamento do robô durante o festival. Segundo a SegurPro, o equipamento realiza percursos e interações controladas sempre sob supervisão humana, o que significa que sua atuação complementa, mas não substitui, o trabalho dos vigilantes presentes na Cidade do Rock. O robô já havia sido utilizado na edição do Rock in Rio realizada em Lisboa neste mesmo ano, e agora foi incorporado também à operação brasileira do festival.
Segundo Paulo Armário, gerente de operações de eventos e Risk Advisory da SegurPro, a tecnologia não substitui o fator humano, mas potencializa a capacidade de quem está à frente da segurança, já que a complexidade de eventos desse porte exige que a tecnologia esteja integrada à estratégia de prevenção e à tomada de decisão. O executivo destacou ainda que incorporar uma ferramenta como o Yellow Pro exigiu preparo prévio da equipe, e os profissionais responsáveis pelo equipamento passaram por treinamento específico antes do início do festival.
Câmeras com inteligência artificial e drones autônomos
O robô humanoide é apenas uma peça de uma estrutura tecnológica mais ampla, que combina vigilância humana, câmeras inteligentes, drones e análise de dados. Das 117 câmeras distribuídas pela Cidade do Rock, 40 contam com recursos de inteligência artificial, segundo a SegurPro, instaladas em pontos estratégicos como entradas e saídas, acessos às atrações, áreas de alimentação e locais de maior concentração de público. Entre as funções previstas para essas câmeras estão a contagem de público em tempo real, a classificação demográfica por gênero e faixa etária, o monitoramento de fluxo e permanência por meio de mapas de calor, além da identificação de objetos abandonados e de movimentações consideradas fora dos padrões esperados.
As equipes de segurança também utilizam 20 câmeras corporais, conhecidas como bodycams, capazes de transmitir áudio e vídeo em tempo real diretamente para o Centro de Controle Operacional. Todas essas informações chegam a um mesmo ponto de coordenação, que reúne profissionais de segurança, monitoramento e tecnologia, e que faz a integração com órgãos públicos e forças policiais quando necessário. Segundo Armário, a tecnologia amplia a capacidade de monitoramento da equipe e permite o acesso a informações em tempo real, enquanto os próprios profissionais seguem responsáveis por analisar os cenários e tomar decisões de forma mais ágil.
O céu da Cidade do Rock também integra a operação: quatro drones são empregados no monitoramento do festival, incluindo um modelo equipado com uma estação de recarga automática. Essa estação funciona como uma base fixa a partir da qual o drone pode decolar de forma autônoma para cumprir missões de monitoramento e retornar sozinho para recarga, sem depender de um operador presente a cada voo. Radares complementam esse sistema, auxiliando na identificação antecipada de movimentações em áreas consideradas sensíveis no entorno da Cidade do Rock.
Segurança híbrida: pessoas, tecnologia e cães de guarda
Apesar de toda a estrutura tecnológica reunida no festival, a maior parte da operação continua sendo humana: mais de dois mil vigilantes foram mobilizados para esta edição, segundo a SegurPro. A comunicação entre os profissionais em campo e o Centro de Controle Operacional é feita por meio da Plataforma Operativa SegurPro, sistema que permite compartilhar informações sobre ocorrências em tempo real entre as equipes espalhadas pelo evento. É esse conjunto de pessoas, dados e equipamentos que a empresa chama de segurança híbrida, um modelo que combina tecnologia de ponta com presença humana constante.
No meio de câmeras com inteligência artificial, robôs humanoides e drones autônomos, a operação também recorre a uma tecnologia de segurança bem mais antiga: dois cães de guarda, que atuam acompanhados de vigilantes treinados como parte da proteção do evento. A SegurPro afirma que 2026 marca o 14º ano da empresa como responsável pela segurança oficial do Rock in Rio no Brasil, e completa também duas décadas desde o início da parceria com o festival, que começou na edição de Lisboa em 2006. Uma curiosidade da operação deste ano é que uma das posições dentro do Centro de Controle será ocupada por um vigilante que utiliza cadeira de rodas, responsável por participar da distribuição de informações entre as equipes espalhadas pelo festival.
Para Armário, a estrutura tecnológica montada nesta edição do Rock in Rio antecipa uma transformação que deve ganhar espaço mais amplo no setor de segurança de eventos, com profissionais cada vez mais conectados e decisões orientadas por dados coletados em tempo real. Além do público estimado em cerca de 100 mil pessoas por dia, o festival deve movimentar aproximadamente R$ 3,3 bilhões na economia do estado do Rio de Janeiro, segundo números divulgados pela própria organização, com quase metade do público esperado vindo de outros estados do país. Durante os sete dias de festival, quem olhar para os palcos vai encontrar artistas, mas quem prestar atenção aos bastidores da Cidade do Rock pode encontrar algo bem diferente: vigilantes, cães, drones autônomos e um robô humanoide dividindo a mesma operação de segurança.
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