Investigação da 41ª DP aponta que clientes pagavam por viagens nacionais e internacionais, mas passagens e hospedagens não eram providenciadas; em um dos casos apurados, prejuízo chegou a R$ 8.738,20
A Polícia Civil do Rio de Janeiro prendeu nesta segunda-feira, 24 de agosto de 2026, uma mulher acusada de aplicar golpes por meio da venda de pacotes turísticos que, segundo a investigação, não eram efetivamente contratados. Ela foi localizada na Freguesia, na Zona Sudoeste do Rio, após a Justiça decretar sua prisão preventiva. As apurações são conduzidas pela 41ª DP (Tanque) e indicam que ofertas de viagens nacionais e internacionais eram divulgadas pelas redes sociais, atraindo clientes interessados em pacotes que incluíam passagens aéreas, hospedagem, reservas e outros serviços. (O Dia)
De acordo com a investigação, os clientes realizavam os pagamentos principalmente por Pix, acreditando que os valores seriam utilizados para providenciar os serviços previstos nos contratos. O problema aparecia especialmente quando a data da viagem se aproximava e os consumidores começavam a solicitar vouchers, comprovantes das reservas e demais documentos necessários para o embarque. Nesse momento, segundo a polícia, alguns descobriam que as passagens não haviam sido emitidas ou que os hotéis não possuíam reservas em seus nomes. (Band)
A polícia sustenta que a existência de uma empresa formalmente constituída ajudava a dar aparência de legitimidade às negociações. Os investigadores analisaram contratos, transferências e relatos e afirmam ter identificado um padrão envolvendo outras pessoas que relataram situações semelhantes. A investigada responde por estelionato; sua prisão é preventiva e as acusações ainda serão analisadas no processo judicial. (O Dia)
Vítima pagou por viagens para Colômbia e Chile
Um dos casos detalhados pela investigação envolve uma cliente que adquiriu dois pacotes. Em janeiro de 2025, ela contratou uma viagem para San Andrés, na Colômbia, pelo valor de R$ 4,5 mil. O dinheiro foi transferido por Pix para uma conta indicada pela investigada. Meses depois, em agosto daquele ano, a mesma consumidora adquiriu outro pacote, desta vez para o Chile, pelo valor de R$ 4,2 mil, novamente realizando o pagamento por meio de transferência instantânea. (O Dia)
Somados e considerando o valor exato apontado no processo, os pagamentos relacionados ao caso chegaram a R$ 8.738,20. A viagem para San Andrés estava prevista para janeiro de 2026. Conforme a data do embarque se aproximava, a cliente começou a pedir documentos que comprovassem as reservas e os demais serviços contratados, mas, segundo a apuração policial, não recebeu as confirmações esperadas. (O Dia)
A suspeita de fraude se confirmou para a cliente quando ela procurou diretamente o hotel onde deveria ficar hospedada. Segundo a reportagem de O Dia, o estabelecimento informou que não havia reserva registrada em seu nome nem vinculada à empresa responsável pelo pacote. Esse tipo de situação também aparece em relatos de outros clientes analisados pelos investigadores, que passaram a cobrar comprovantes quando as datas das viagens estavam próximas. (O Dia)
Polícia aponta existência de outras vítimas
A investigação não está limitada ao prejuízo de R$ 8,7 mil identificado nesse caso específico. Segundo a Polícia Civil, as provas reunidas pela 41ª DP apontam um padrão semelhante em diferentes relatos, levando os agentes a investigar se os contratos eram celebrados mesmo sem a intenção de entregar os serviços prometidos. A apuração busca determinar a extensão dos prejuízos e quantas pessoas podem ter sido afetadas. (O Dia)
Outras reportagens publicadas nesta segunda-feira apontam que a investigação trabalha com a possibilidade de prejuízo total muito superior ao caso individual já detalhado. O Diário do Rio relata que os investigadores reuniram contratos, comprovantes de pagamento e depoimentos de diferentes clientes para sustentar que o caso poderia ultrapassar um simples descumprimento comercial. (Diário do Rio)
É importante diferenciar, porém, os valores já individualizados daqueles atribuídos ao conjunto das suspeitas. O montante de R$ 8.738,20 aparece especificamente ligado à vítima cujo caso foi detalhado na decisão judicial. Valores maiores mencionados no noticiário referem-se à dimensão mais ampla sob investigação e não devem ser tratados como prejuízo definitivamente comprovado até a conclusão das apurações e do processo. (O Dia)
Justiça decretou prisão preventiva
No último dia 18 de agosto, o juiz Aylton Cardoso Vasconcellos, da 2ª Vara Criminal de Jacarepaguá, aceitou denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e tornou a investigada ré por estelionato. O magistrado também determinou sua prisão preventiva, que foi cumprida nesta segunda-feira após ela ser localizada na Freguesia. (O Dia)
A decisão considerou os elementos apresentados no processo relacionados à obtenção dos valores e à suposta promessa de providenciar passagens, hospedagens, reservas e outros serviços necessários às viagens. Também foi considerada, segundo a reportagem, a necessidade de preservar a vítima durante o andamento do processo. (O Dia)
Como se trata de um processo ainda em andamento, a prisão preventiva não representa condenação definitiva. A acusação deverá passar pelas etapas previstas no processo penal, com direito à defesa e análise das provas pelo Judiciário. Até a publicação da reportagem de O Dia na manhã desta segunda-feira, a defesa da acusada ainda não havia sido localizada pelo veículo. (O Dia)
Caso chama atenção para golpes envolvendo pacotes turísticos
O episódio também reforça a importância de verificar cuidadosamente pacotes turísticos comprados pela internet. A investigação mostra que possuir contrato, perfil em rede social ou até uma empresa formalmente registrada não elimina por si só o risco de fraude. Antes de realizar pagamentos elevados, consumidores podem verificar dados cadastrais da empresa, pesquisar reclamações e confirmar diretamente com hotéis e outros fornecedores se as reservas realmente existem.
A proximidade da viagem é um momento especialmente delicado porque descobrir a inexistência de passagens ou hospedagem poucos dias antes do embarque reduz as possibilidades de reorganização e pode aumentar o prejuízo. Por isso, comprovantes de emissão de passagens e confirmações de hospedagem devem ser solicitados com antecedência e conferidos nos canais oficiais dos respectivos prestadores de serviço.
No caso investigado no Rio, justamente a tentativa de confirmar a hospedagem ajudou uma das clientes a descobrir que a reserva prometida não existia. A Polícia Civil segue tratando o caso como investigação de estelionato, enquanto o processo judicial deverá determinar as responsabilidades pelos fatos atribuídos à acusada. (O Dia)
Fontes
O Dia — Polícia prende acusada de aplicar golpes com vendas de viagens falsas
