Disputa pelo Palácio Guanabara se define após crise que derrubou Cláudio Castro e levou presidente da Alerj ao comando interino do estado
A corrida pelo governo do Rio de Janeiro em 2026 entrou em uma nova fase nos últimos dias, com a confirmação de duas candidaturas que devem disputar espaço com o favorito nas pesquisas, o prefeito Eduardo Paes. Nesta sexta-feira, o diretório estadual do Partido Liberal oficializou a candidatura de Douglas Ruas, atual presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, após convenção partidária. No dia seguinte, o Republicanos confirmou a candidatura do ex-governador Anthony Garotinho, que terá o coronel Venâncio Moura como vice na chapa.
O cenário eleitoral fluminense de 2026 carrega uma particularidade que ajuda a explicar o interesse em torno dessas candidaturas: o estado viveu, meses atrás, uma crise política que culminou na renúncia do então governador Cláudio Castro e em uma sucessão pouco comum, que colocou justamente Douglas Ruas no comando do Palácio Guanabara antes mesmo do início oficial da campanha. Entender como se chegou a esse ponto ajuda a esclarecer por que a disputa deste ano é tão diferente das eleições anteriores no estado.
Como a crise política levou Douglas Ruas ao comando do estado
A origem da atual configuração eleitoral remonta a março deste ano, quando Cláudio Castro renunciou ao governo do Rio de Janeiro alegando intenção de disputar uma vaga no Senado, além da necessidade de se desincompatibilizar para a corrida eleitoral. A renúncia gerou a vacância simultânea dos cargos de governador e vice-governador, o que, pela legislação estadual, exigia que a Assembleia Legislativa convocasse uma eleição indireta em até 48 horas para escolher quem assumiria o comando do estado.
Um dia após deixar o cargo, Cláudio Castro foi declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Superior Eleitoral, em decisão relacionada a denúncias de abuso de poder político e econômico durante sua campanha de reeleição em 2022. Enquanto o processo corria, Ricardo Couto de Castro assumiu interinamente o comando do estado, até que a Alerj conduzisse a eleição indireta prevista em lei.
Foi nesse contexto que Douglas Ruas, então recém-eleito presidente da Assembleia Legislativa, chegou ao Palácio Guanabara em um mandato tampão. A trajetória incomum, que o levou de presidente do Legislativo estadual a chefe do Executivo em poucas semanas, se tornou parte central da narrativa de sua pré-candidatura, oficializada agora pelo PL para a disputa de outubro.
Essa sequência de acontecimentos ajuda a explicar por que o pleito deste ano no Rio de Janeiro é observado com atenção redobrada. Não se trata apenas de uma eleição para escolher um novo governador, mas de um processo que ocorre logo depois de uma ruptura institucional pouco comum na história recente do estado, com efeitos diretos sobre o equilíbrio de forças políticas na Alerj e no próprio governo estadual.
O que dizem as pesquisas e como se posicionam os principais candidatos
Apesar da oficialização de sua candidatura pelo PL, Douglas Ruas ainda enfrenta um caminho difícil nas pesquisas de intenção de voto. Levantamento da Quaest realizado em abril apontou que o prefeito do Rio, Eduardo Paes, do PSD, lideraria um eventual segundo turno contra Ruas por 49% a 16%, uma diferença expressiva que reflete tanto a força política de Paes quanto o desafio de construção de imagem que Ruas enfrenta fora do universo da Alerj.
Já Anthony Garotinho chega à disputa como um nome conhecido do eleitorado fluminense, já que governou o estado entre 1999 e 2002 e também foi prefeito de Campos dos Goytacazes em dois mandatos. Durante a convenção que confirmou sua candidatura, o ex-governador apresentou o coronel Venâncio Moura como companheiro de chapa e fez críticas à atuação da Alerj, embora sem apresentar provas concretas para as acusações feitas durante o evento.
A pré-candidatura de Eduardo Paes segue como a mais forte no cenário atual, segundo os levantamentos disponíveis até o momento, embora o prefeito ainda não tenha formalizado sua candidatura ao governo do estado. Outros nomes também aparecem no radar da disputa, incluindo Washington Reis, Wilson Witzel e representantes de partidos como PSOL e PT, o que indica um campo eleitoral fragmentado à espera de novas pesquisas.
O calendário eleitoral prevê que as convenções partidárias para escolha de candidatos e coalizões se estendam até o início de agosto, com o primeiro turno das eleições estaduais marcado para 4 de outubro. Caso nenhum candidato obtenha maioria absoluta dos votos válidos, a disputa segue para um segundo turno em 25 de outubro, quando o Rio de Janeiro definirá quem ocupará o Palácio Guanabara pelos próximos quatro anos.
Por que essa eleição é considerada atípica no histórico do estado
Um dos fatores que tornam a eleição deste ano diferente das anteriores é justamente o fato de o Rio de Janeiro chegar ao pleito sem um governador eleito exercendo o cargo, já que Douglas Ruas ocupa o Palácio Guanabara em caráter de mandato tampão. Isso significa que o atual ocupante do cargo também é candidato à eleição que decidirá quem vai governar o estado a partir de 2027, uma situação pouco comum na política fluminense recente.
Além disso, a inelegibilidade de Cláudio Castro por oito anos retira do tabuleiro eleitoral um nome que, até pouco tempo, era considerado um dos mais competitivos para a disputa estadual. Sua saída abriu espaço para uma reconfiguração das alianças no estado, com partidos que antes apoiavam Castro precisando redefinir suas estratégias para outubro.
Analistas eleitorais também apontam que a disputa deste ano deve ser marcada por debates sobre segurança pública, gestão fiscal do estado e o legado da crise política que levou à sucessão de Castro. Esses temas tendem a ganhar peso nos programas eleitorais de Ruas, Garotinho e demais candidatos ao longo dos próximos meses de campanha.
A definição final do quadro de candidaturas ainda depende da conclusão do período de convenções partidárias, previsto para se encerrar no início de agosto. Somente depois disso será possível ter um panorama completo de quem efetivamente disputará o comando do estado nas urnas de outubro.
A disputa pelo governo do Rio de Janeiro em 2026 reúne, portanto, um cenário pouco comum: um governador em exercício que assumiu o cargo por mandato tampão e que agora tenta a eleição direta, um ex-governador que retorna à disputa depois de mais de duas décadas fora do Palácio Guanabara, e um prefeito que aparece como favorito nas pesquisas sem ainda ter oficializado sua própria candidatura. Nas próximas semanas, à medida que as convenções partidárias se encerram, o quadro eleitoral deve se tornar mais claro para o eleitor fluminense, que acompanhará de perto os desdobramentos de uma das eleições mais atípicas da história recente do estado.
Fontes:
Wikipédia, Eleições estaduais no Rio de Janeiro em 2026
Diário do Grande ABC
Brasil 247
Agência Brasil
