A governança financeira em empresas em crise é um tema que revela, com clareza, a diferença entre organizações que conseguem reverter dificuldades e aquelas que as deixam evoluir até o ponto de não retorno. Sob a ótica de Pedro Henrique Torres Bianchi, profissional com experiência na administração de empresas em situação de crise e no contencioso empresarial, a ausência de controles internos financeiros adequados é um dos fatores que mais frequentemente transforma crises superáveis em situações de insolvência definitiva. Isto é, empresas que não monitoram seus indicadores com regularidade, que não têm processos claros de aprovação de gastos e que não produzem relatórios financeiros confiáveis perdem a capacidade de reagir a tempo, quando ainda há margem para a ação.
Neste artigo, serão examinados os principais componentes de uma governança financeira eficaz em contextos de crise, os controles internos mais relevantes para a prevenção da deterioração e as práticas que distinguem empresas resilientes das que sucumbem à desordem financeira. Investir em governança financeira antes da crise é sempre mais eficiente do que tentar reconstruí-la no meio dela.
Quais controles internos são essenciais para empresas em dificuldade?
Os controles internos financeiros mais relevantes em contextos de crise são aqueles que oferecem visibilidade imediata sobre a posição de caixa, o nível de endividamento e a evolução das obrigações vencidas e a vencer. Desse modo, um painel de indicadores financeiros atualizado semanalmente, que inclua o saldo de caixa disponível, o prazo médio de recebimento e pagamento e o índice de cobertura das obrigações de curto prazo, é o instrumento mínimo que qualquer empresa em dificuldade precisa ter funcionando de forma confiável.

Ademais, a separação clara entre as funções de aprovação de gastos, execução dos pagamentos e registro contábil é outro controle indispensável. Dado que em muitas empresas em crise, a pressão leva à centralização excessiva de decisões financeiras em uma única pessoa, o que aumenta o risco de erros, de favorecimentos indevidos e de dificuldades na prestação de contas a credores e ao Judiciário. Para o administrador de empresas em situação de crise, Pedro Bianchi, manter a segregação de funções, mesmo em momentos de redução de equipe, é uma condição para que a governança financeira preserve sua credibilidade e sua efetividade ao longo do processo de reestruturação.
Como a governança financeira fortalece a credibilidade junto aos credores?
Credores que recebem informações financeiras confiáveis, atualizadas e bem organizadas tendem a adotar posturas mais colaborativas nas negociações de reestruturação do que aqueles que precisam extrair dados fragmentados de uma empresa com controles precários. Na prática, a qualidade das informações apresentadas é um sinal sobre a qualidade da gestão, e gestores que demonstram controle sobre seus números transmitem uma confiança que tem valor concreto nas negociações com credores, investidores e o Judiciário.
Além disso, a produção de relatórios financeiros periódicos, com demonstrações de fluxo de caixa projetado e realizado, comparativos entre o planejado e o executado e análises das variações relevantes, é uma prática que fortalece essa credibilidade de forma sistemática. Na perspectiva do advogado Pedro Bianchi, a empresa que consegue demonstrar que monitora seus indicadores com rigor e que toma decisões baseadas em dados confiáveis tem condições muito melhores de conduzir negociações com credores e de obter o suporte necessário para a execução de seu plano de reestruturação.
Governança financeira como condição de sobrevivência empresarial
A governança financeira eficaz é uma condição de sobrevivência para qualquer empresa que enfrente dificuldades financeiras e precise demonstrar, de forma convincente, que tem capacidade de se reorganizar e de honrar seus compromissos. Pedro Henrique Torres Bianchi conclui que empresas que investem em controles internos robustos, mesmo em momentos de restrição de recursos, constroem uma base de credibilidade que facilita todas as etapas do processo de reestruturação e aumenta significativamente as chances de um desfecho favorável para todas as partes envolvidas.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
