Conforme Alex Nabuco dos Santos, a decisão de compra de imóveis melhora quando o investidor aprende a ler índices econômicos como sinais de ciclo, e não como manchetes isoladas. Em diferentes momentos da economia, juros, inflação, emprego, confiança e crédito se combinam para acelerar, frear ou redirecionar a demanda. Interpretar bem esses dados ajuda a reduzir ruído, escolher timing e comparar oportunidades com critérios mais objetivos.
Na prática, o ponto central é entender a relação e tendência, em vez de reagir a um único indicador. Um número pode parecer favorável, enquanto o conjunto aponta para desaceleração, ou o contrário. Com uma leitura integrada, fica mais fácil distinguir movimentos passageiros de mudanças estruturais que alteram preço, liquidez e risco.
Juros e crédito: o custo real do capital e a qualidade do financiamento
Na visão de Alex Nabuco dos Santos, a taxa de juros é um dos índices mais observados porque define o custo do dinheiro, porém a taxa, sozinha, não resolve a análise. Importa perceber a direção do ciclo, a velocidade das decisões de política monetária e como os bancos traduzem isso em spread, prazos, LTV e exigências de garantia. Quando o crédito encarece, o mercado costuma ajustar primeiro o volume de transações e a liquidez, enquanto o preço demora mais para refletir a mudança.
Em paralelo, a qualidade do crédito diz muito sobre o apetite de risco do sistema. Abertura de prazos, redução de entrada e maior competição entre instituições sinalizam ambiente de expansão. Já uma concessão mais restrita indica fase defensiva, em que o comprador precisa negociar melhor, comparar condições e, muitas vezes, priorizar ativos mais líquidos. Essa leitura evita decisões com base apenas na taxa nominal e ajuda a estimar custo total de aquisição.
Inflação, renda e construção: quando o índice muda a formação de preço
Sob a perspectiva de Alex Nabuco dos Santos, inflação e renda formam um par decisivo para entender poder de compra e pressão sobre preços. A inflação afeta materiais, mão de obra e serviços, elevando o custo de reposição do estoque imobiliário. Quando o custo de construir sobe de forma persistente, o preço de unidades novas tende a acompanhar, ainda que o ritmo varie conforme a demanda e a oferta local.
Ao mesmo tempo, renda real e massa salarial explicam a capacidade de pagamento, inclusive na ponta corporativa, pois impactam consumo, faturamento e planos de expansão. Um mercado com renda em crescimento consegue absorver reajustes e manter velocidade de vendas. Quando a renda perde força, a demanda fica mais sensível e o comprador ganha poder de barganha, especialmente em produtos com maior concorrência. Essa combinação também orienta a escolha entre imóvel novo, usado e ativos com potencial de retrofit.

Confiança, emprego e expectativas
Como observa Alex Nabuco dos Santos, índices de confiança do consumidor e do empresariado funcionam como termômetros de timing, pois antecipam decisões de compra e expansão. Mesmo quando não alteram preço de imediato, eles influenciam a disposição de assumir compromissos longos, como financiamentos e contratos de locação. Confiança em alta costuma vir acompanhada de maior procura e menor desconto médio, principalmente em regiões com oferta mais rígida.
Em contrapartida, emprego e inadimplência ajudam a medir sustentabilidade da demanda. Um mercado com melhora consistente do emprego formal tende a estabilizar risco e sustentar transações. Já sinais de deterioração do mercado de trabalho elevam cautela, alongam decisões e mudam preferências por liquidez. Esse conjunto é especialmente útil para evitar compras guiadas por euforia ou por medo, porque ele traduz sentimento em dados observáveis e permite comparar o momento atual com padrões históricos.
Câmbio, atividade e indicadores do setor
De acordo com Alex Nabuco dos Santos, câmbio e atividade econômica entram na análise quando o comprador busca proteção patrimonial, diversificação e leitura do apetite de capital. Movimentos cambiais influenciam custo de insumos importados, decisões de investidores com patrimônio dolarizado e atratividade relativa de ativos reais. Já o nível de atividade, medido por indicadores de produção, serviços e investimento, ajuda a entender demanda por imóveis corporativos, logística e usos mistos.
Assim, nota-se que os indicadores setoriais refinam a leitura através da velocidade de vendas, distratos, estoque disponível, vacância, absorção líquida e preço por metro quadrado por microrregião. Segundo a avaliação de Alex Nabuco dos Santos, combinar índices macro com métricas do próprio mercado reduz erro de timing e melhora a comparação entre bairros e produtos. O resultado é uma decisão mais precisa, baseada em tendência, risco e liquidez, e não em impressão.
Autor: Rymona Ouldan
