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Roubo de carro no Rio se concentra em só 4,3% da cidade, revela estudo do ISP

Diego Velázquez
Diego Velázquez junho 24, 2026
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Levantamento do Instituto de Segurança Pública mostra que metade dos casos na capital ocorre numa fração mínima do território urbano.

Contents
Por que o roubo de veículos se concentra em áreas tão específicasO que os números revelam sobre a velocidade de recuperação dos veículosO que o estudo do ISP significa para a segurança pública no Rio

Quem mora no Rio de Janeiro sabe que existem ruas, bairros e regiões em que o medo de ser assaltado ou ter o carro roubado é mais presente do que em outros pontos da cidade. Um levantamento divulgado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP) nesta terça-feira, 23 de junho, confirma essa percepção com números: metade de todos os roubos e furtos de veículos registrados na capital fluminense está concentrada em apenas 4,3% da área urbana. O dado integra o estudo “Roubo e recuperação de veículos: padrões de criminalidade no estado do Rio de Janeiro” e ajuda a entender por que certas regiões da cidade aparecem com tanta frequência nas estatísticas de criminalidade patrimonial.

A pesquisa também revela um dado que chama atenção em todo o estado. Cerca de 80% dos veículos roubados ou furtados no Rio de Janeiro em 2025 foram recuperados em apenas cinco municípios: a capital, Duque de Caxias, São Gonçalo, Belford Roxo e São João de Meriti. Essa concentração geográfica não é aleatória. Segundo o ISP, a maior parte das recuperações ocorre em áreas do interior dos municípios ou em regiões próximas a territórios sob influência de organizações criminosas, o que sugere que o destino dos veículos roubados segue rotas conhecidas e, em muitos casos, controladas pelo crime organizado.

Para quem se pergunta como esses números afetam o dia a dia e o que pode ser feito para reduzir o risco de ser vítima desse tipo de crime, o estudo do ISP oferece pistas importantes sobre os padrões territoriais da criminalidade e a velocidade de resposta das autoridades.

Por que o roubo de veículos se concentra em áreas tão específicas

A explicação para essa concentração territorial passa pela lógica do mercado ilegal que sustenta o roubo e o furto de veículos. De acordo com o ISP, esses crimes figuram entre os delitos patrimoniais de maior incidência no estado e produzem impactos que vão muito além da perda material sofrida pela vítima. Eles alimentam mercados ilícitos de peças, documentos falsificados e, em alguns casos, financiam outras dinâmicas criminais ligadas a facções que atuam em determinados territórios.

Na capital, essa lógica explica por que 50% dos casos se concentram em apenas 4,3% da área urbana. Já em outros municípios da Região Metropolitana, os números variam bastante: em Duque de Caxias, a metade dos casos ocorre em apenas 2,6% do território. Em São João de Meriti, esse percentual sobe para 12%, enquanto em São Gonçalo fica em 5,2% e em Nova Iguaçu chega a 3%. Essa variação indica que cada município tem sua própria dinâmica territorial de criminalidade, moldada por fatores como densidade populacional, presença de grupos criminosos e características viárias da região.

Outro ponto destacado pelo estudo é que os deslocamentos dos veículos roubados seguem, em muitos casos, trajetórias que parecem planejadas ou induzidas dentro de territórios específicos. Isso significa que o carro ou a moto não desaparece de forma imprevisível depois do roubo, mas segue um caminho que costuma levar a áreas de receptação já mapeadas pelas forças de segurança. Esse padrão de deslocamento é um dos motivos pelos quais a recuperação dos veículos, quando ocorre, costuma acontecer dentro de um intervalo de tempo relativamente previsível, conforme detalha o próprio levantamento do instituto.

O que os números revelam sobre a velocidade de recuperação dos veículos

Um aspecto que pode trazer algum alívio para quem já passou pela experiência de ter um veículo roubado é a velocidade com que boa parte dos casos é resolvida. Segundo o estudo do ISP, 95,4% dos carros roubados ou furtados no estado são recuperados em até 72 horas. Esse percentual cai para 64,4% quando o veículo é uma motocicleta, o que indica uma diferença relevante entre os dois tipos de veículo na forma como o crime se desenrola depois da subtração.

Essa diferença pode estar relacionada à própria natureza dos veículos. Motocicletas são mais fáceis de ocultar, transportar e desmontar para revenda de peças, o que pode explicar por que uma parcela maior delas não é recuperada no mesmo intervalo de tempo observado para os automóveis. Já os carros, por serem maiores e mais difíceis de movimentar sem chamar atenção, tendem a ser localizados com mais rapidez pelas equipes de segurança, especialmente quando equipados com sistemas de rastreamento.

O levantamento também mostra que a comunicação dos crimes às autoridades acontece de forma relativamente rápida. De acordo com a Agência Brasil, 92,2% dos automóveis e 91,8% das motocicletas roubados ou furtados são registrados pelas vítimas em até três dias após o ocorrido. Essa rapidez no registro é um fator importante para as investigações, já que informações mais recentes tendem a facilitar o rastreamento do veículo e o mapeamento das rotas utilizadas pelos criminosos. Para o cidadão, esse dado reforça a importância de buscar uma delegacia ou registrar o boletim de ocorrência online o quanto antes, já que o tempo de resposta influencia diretamente as chances de recuperação.

O que o estudo do ISP significa para a segurança pública no Rio

Os dados divulgados pelo Instituto de Segurança Pública vão além de uma simples fotografia da criminalidade patrimonial no estado. Eles oferecem uma ferramenta concreta para o planejamento de políticas públicas de segurança, já que identificam com precisão onde os crimes se concentram e como os veículos se movimentam depois do roubo. Essa informação pode orientar o direcionamento de policiamento, a instalação de câmeras de monitoramento e até a definição de rotas prioritárias de fiscalização em pontos estratégicos da cidade e da Região Metropolitana.

Para o morador do Rio de Janeiro, entender esses padrões pode ajudar na adoção de medidas preventivas, como evitar deixar o veículo estacionado por longos períodos em vias identificadas como críticas, optar por instalar sistemas de rastreamento e redobrar a atenção em horários de maior incidência de ocorrências. Embora o estudo não substitua a responsabilidade do poder público em garantir segurança, ele fornece um panorama que pode ajudar o cidadão a tomar decisões mais informadas no cotidiano.

Fontes consultadas: Diário do Rio de Janeiro (https://diariodorio.com/cinco-municipios-do-rj-concentram-mais-de-80-dos-veiculos-roubados-e-recuperados-no-estado) e Agência Brasil (https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-06/rio-maioria-dos-carros-roubados-esta-em-areas-controladas-pelo-crime).

Autor: Diego Rodríguez Velázquez

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