A 16ª edição da Festa Literária das Periferias, a Flup 2026, ocupou a Praça Tiradentes e o Teatro Carlos Gomes, no centro do Rio de Janeiro, entre os dias 25 e 27 de setembro. Com o tema “As Filhas das Filhas das Filhas”, o festival colocou no centro da programação as trajetórias de mulheres negras, a ancestralidade e a transmissão de saberes entre diferentes gerações.
A edição também homenageou a escritora Ana Maria Gonçalves, autora de Um Defeito de Cor. A programação relacionou a produção da autora a discussões sobre memória, identidade, racismo, literatura e ações afirmativas no Brasil. O encontro reuniu escritores, pesquisadores, artistas e ativistas em atividades que aproximaram a literatura de outros campos do pensamento e da cultura.
Segundo a Agência Brasil, a programação foi realizada em espaços culturais importantes da região central do Rio e contou com nomes de diferentes gerações. A escolha do tema reforçou o papel das mulheres negras como produtoras de conhecimento, memória e expressão artística.
Flup coloca mulheres negras no centro da programação
O eixo “As Filhas das Filhas das Filhas” orientou os debates da Flup 2026 a partir da ideia de continuidade entre gerações. A proposta permitiu tratar de experiências familiares, heranças culturais e formas de resistência que atravessam a vida de mulheres negras, além de discutir como essas narrativas chegam à literatura e ao espaço público.
Ao ser realizada na Praça Tiradentes e no Teatro Carlos Gomes, a festa literária também estabeleceu uma conexão direta com o território do centro do Rio. A ocupação desses espaços aproximou o público de debates sobre cultura negra e produção periférica, sem restringir a literatura ao ambiente tradicional de livrarias, universidades ou grandes eventos editoriais.
A programação reuniu a escritora e filósofa Djamila Ribeiro, a ativista Jurema Werneck, o intelectual Nei Lopes, a artista Linn da Quebrada, o ator Antonio Pitanga e a pesquisadora norte-americana Kimberlé Crenshaw. A presença de convidados ligados à literatura, à música, ao cinema, à pesquisa acadêmica e aos movimentos sociais ampliou o alcance temático do festival.
Ana Maria Gonçalves é homenageada do festival
Ana Maria Gonçalves foi escolhida como a homenageada da 16ª edição da Flup em um momento de destaque de sua trajetória institucional. Em 10 de julho de 2025, a escritora foi eleita para a Academia Brasileira de Letras e se tornou a primeira mulher negra a ocupar uma cadeira na instituição, conforme registro da Academia Brasileira de Letras.
A homenagem conectou a carreira literária da autora a questões que fazem parte do debate público brasileiro, como a preservação da memória, a construção da identidade e o enfrentamento do racismo. A referência a Um Defeito de Cor também destacou a importância da ficção histórica e das narrativas negras para a compreensão de experiências que por muito tempo permaneceram sub-representadas no circuito cultural.
De acordo com a própria Academia Brasileira de Letras, a programação da Flup 2026 reuniu nomes como Ana Maria Gonçalves, Conceição Evaristo e Djamila Ribeiro. A presença dessas referências reforçou a dimensão literária e política do festival, além de evidenciar a diversidade de vozes associadas à produção negra contemporânea.
Debates conectam literatura, memória e ações afirmativas
Entre os assuntos associados à programação estiveram a relação entre literatura e memória, os efeitos da representação na cultura e a importância das ações afirmativas. A participação de Kimberlé Crenshaw acrescentou ao festival a discussão sobre interseccionalidade, conceito criado pela pesquisadora para analisar como diferentes formas de desigualdade podem se cruzar na experiência de determinados grupos.
A reunião de intelectuais, artistas e ativistas permitiu que a Flup tratasse o livro e a escrita como parte de uma discussão mais ampla sobre sociedade. Nesse recorte, a literatura aparece não apenas como produção artística, mas também como instrumento de preservação de histórias, elaboração de identidades e circulação de perspectivas negras no Brasil.
A programação cultural da cidade também registrou atividades relacionadas à Flup no período que antecedeu o festival. A Secretaria Municipal de Cultura do Rio de Janeiro incluiu uma atividade inaugural da edição em sua agenda, indicando a articulação do evento com o calendário cultural do município.
Evento ocupa espaços culturais da Praça Tiradentes
Ao levar a Flup 2026 para a Praça Tiradentes e o Teatro Carlos Gomes, o festival promoveu encontros entre público e convidados em uma área central do Rio de Janeiro marcada pela presença de equipamentos culturais. A escolha dos locais ajudou a posicionar a festa literária dentro da programação cultural da cidade e a aproximar seus debates de diferentes públicos.
Mais do que uma agenda de mesas e encontros, a 16ª Festa Literária das Periferias apresentou um recorte voltado à valorização de narrativas negras e femininas. A homenagem a Ana Maria Gonçalves e o tema dedicado à ancestralidade organizaram uma edição em que literatura, memória e representatividade foram tratados como dimensões relacionadas da cultura brasileira.
